• Ivan Milazzotti
    O Manifesto Comunista
    26-12-2025 04:01:42
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1. O socialismo reacionário

a. O socialismo feudal

Por sua posição histórica, as aristocracias francesa e inglesa estavam fadadas a escrever panfletos contra a moderna sociedade burguesa. Tanto na revolução de julho de 1830, na França, como no movimento reformista inglês, a aristocracia tornou a sucumbir à detestada arrivista. Já não se podia falar aí em uma luta política séria. Restou-lhe apenas a luta literária. Contudo, também no domínio da literatura, o velho palavrório do tempo da Restauração tornara-se inviável.4 Com o intuito de despertar simpatia, a aristocracia, ao que parece, precisou pôr de lado seus próprios interesses e formular seu libelo acusatório contra a burguesia de acordo apenas com o interesse da classe explorada dos trabalhadores. Ressarciu-se, assim, permitindo-se entoar zombarias ao novo soberano e sussurrar-lhe ao ouvido profecias mais ou menos prenhes de infortúnios.

Foi assim que surgiu o socialismo feudal, um misto de lamento, pasquim, eco do passado e vaticínio das ameaças do futuro — por vezes, atingindo a burguesia no coração com veredictos amargos e espirituosamente dilacerantes, mas sempre causando impressão engraçada, graças a sua total incapacidade de compreender o curso da história moderna.

A fim de reunir o povo atrás de si, esse socialismo sempre brandia o saquinho proletário de esmolas qual uma bandeira. Mas, tão logo o povo o seguia, divisava em seu traseiro os velhos brasões feudais e se perdia em altas e desrespeitosas gargalhadas.

Uma parte dos legitimistas franceses e a “Jovem Inglaterra” proporcionaram semelhante espetáculo.

Quando os feudais demonstram que seu modo de explorar exibia forma diversa da exploração burguesa, esquecem-se eles apenas de que sua exploração se dava sob circunstâncias e condições inteiramente diferentes e já superadas. Quando provam que, sob seu domínio, o proletariado moderno não existia, esquecem-se tão somente de que a burguesia moderna foi o rebento lógico de sua ordem social.

De resto, ocultam em tão pouca medida o caráter reacionário de sua crítica que a principal acusação que fazem à burguesia é precisamente a de, sob o regime burguês, ter se desenvolvido uma classe que mandará pelos ares a totalidade da velha ordem social.

Censuram a burguesia antes por ter gerado um proletariado revolucionário do que apenas um proletariado.

Na prática política, comungam, portanto, de todas as medidas violentas tomadas contra a classe dos trabalhadores, e, na vida cotidiana, sentem-se à vontade para, a despeito de todo o inflado palavrório, colher as maçãs douradasV40 e trocar lealdade, amor e honra pela barganha com lã, beterraba e aguardente.5

Assim como o padre sempre caminhou de mãos dadas com o senhor feudal, assim também o socialismo clerical caminha lado a lado com o feudal.

Nada mais fácil que dar à ascese cristã um ar socialista. Afinal, não se bateu também o cristianismo contra a propriedade privada, o casamento e o Estado? Não propôs em seu lugar a beneficência e a pobreza, o celibato e a mortificação da carne, a vida monástica e a igreja? O socialismo cristãoV41 é apenas a água benta com que o padre abençoa a irritação do aristocrata.

b. O socialismo pequeno-burguês

A aristocracia feudal não foi a única classe posta abaixo pela burguesia cujas condições de vida se deterioraram e definharam na moderna sociedade burguesa. Os moradores dos burgos da Idade Média e o estamento do pequeno campesinato foram os precursores da burguesia moderna. Naqueles países em que a indústria e o comércio são menos desenvolvidos, essas classes seguem vegetando, ao lado da burguesia ascendente.

Nos países em que a civilização moderna se desenvolveu, formou-se uma nova pequena-burguesia, que paira entre o proletariado e a burguesia e se renova continuamente como complemento da sociedade burguesa. Devido à concorrência, porém, seus membros são constantemente rebaixados ao proletariado. Com o desenvolvimento da grande indústria, eles veem avizinhar-se o momento em que desaparecerão por completo como porção autônoma da sociedade moderna, sendo substituídos no comércio, na manufatura e na agricultura por supervisores e empregados domésticos.

Em países como a França, onde a classe dos camponeses representa bem mais da metade da população, era natural que escritores favoráveis ao proletariado e contra a burguesia aplicassem o metro da pequena-burguesia e do pequeno campesinato em sua crítica ao regime burguês, tomando, assim, o partido dos trabalhadores, mas do ponto de vista pequeno-burguês. Foi desse modo que se constituiu o socialismo pequeno-burguês. Sismondi é o principal nome dessa literatura, não apenas na França, mas também na Inglaterra.

Com grande perspicácia, esse socialismo dissecou as contradições das modernas relações de produção. Ele revelou os embelezamentos hipócritas de autoria dos economistas. Demonstrou de maneira irrefutável os efeitos destrutivos da maquinaria e da divisão do trabalho, a concentração dos capitais e da propriedade da terra, a superprodução, as crises, o ocaso necessário da pequena-burguesia e do pequeno campesinato, a miséria do proletariado, a anarquia na produção, a desproporção na distribuição da riqueza, a guerra de extermínio industrial travada pelos diversos países entre si, a dissolução dos velhos costumes, das velhas relações familiares e das velhas nacionalidades.

Em seu teor positivo, no entanto, esse socialismo deseja ou reimplantar os velhos meios de produção e circulação — e, com eles, as velhas relações de produção e a velha sociedade — ou aprisionar à força os modernos meios de produção e circulação nos moldes das velhas relações de produção que esses mesmos meios de produção modernos explodiram e tinham de explodir. Em ambos os casos, trata-se de um socialismo a um só tempo reacionário e utópico.

Corporativismo na manufatura e economia patriarcal no campo: são essas suas palavras definitivas.

Em seu ulterior desenvolvimento, essa tendência se perdeu em covarde choradeira.V42

c. O socialismo alemão,
ou o “verdadeiro” socialismo

As literaturas socialista e comunista na França, surgidas sob a pressão de uma burguesia dominante e como expressão literária da luta contra essa dominação, foram introduzidas na Alemanha em uma época em que a burguesia tinha acabado de dar início a sua luta contra o absolutismo feudal.

Filósofos, semifilósofos e belos espíritos alemães se apoderaram com avidez dessa literatura, esquecendo-se apenas de que as condições de vida na França não emigraram para a Alemanha juntamente com os escritos franceses. Diante da situação alemã, essa literatura francesa perdeu todo o seu sentido prático imediato, assumindo um aspecto puramente literário. A única impressão que ela podia causar era a de uma especulação ociosa acerca da realização da essência humana.V43 Assim sendo, para os filósofos alemães do século xviii, as demandas da primeira revolução francesa só podiam ser demandas gerais da “razão prática”, e as manifestações da vontade da burguesia revolucionária francesa significavam a seus olhos as leis da vontade pura, da vontade como ela tem de ser: a verdadeira vontade humana.

O trabalho exclusivo dos literatos alemães consistiu em harmonizar as novas ideias francesas com sua velha consciência filosófica, ou, antes, em se apropriar das ideias francesas a partir de seu ponto de vista filosófico.

Essa apropriação se deu da mesma forma como nos apropriamos de uma língua estrangeira, ou seja, pela via da tradução.

É sabido como os monges escreveram histórias católicas de santos, de muito mau gosto, por cima dos textos constantes dos manuscritos onde estavam registradas as obras clássicas da antiguidade pagã. Os literatos alemães fizeram o contrário com a literatura profana francesa: acrescentaram seus absurdos filosóficos debaixo do original francês. Debaixo da crítica francesa às relações monetárias, por exemplo, escreveram “alienação da essência humana”; em seguida à crítica francesa do Estado burguês, acrescentaram “Abolição da soberania do geral abstrato”, e assim por diante.

À introdução desse palavrório filosóficoV44 nos escritos franceses chamaram “filosofia da ação”, “verdadeiro socialismo”, “ciência alemã do socialismo”, “fundamentação filosófica do socialismo” etc.

Desse modo, a literatura socialista-comunista francesa foi, literalmente, emasculada. E como, em mãos alemãs, ela deixou de dar expressão à luta de uma classe contra outra, os alemães acreditaram ter superado a “unilateralidade francesa”, acreditaram-se representantes da necessidade da verdade, em vez das verdadeiras necessidades, e dos interesses da essência humana, em vez daqueles do proletariado — ou seja, dos interesses do ser humano em si, um ser humano vinculado a classe nenhuma e a realidade nenhuma, apenas ao céu nebuloso da fantasia filosófica.

Esse socialismo alemão, que levou tão a sério seus solenes e desastrados exercícios escolares, propagando-os bombasticamente aos quatro ventos, acabou por perder pouco a pouco sua inocência pedante.

A luta dos alemães, ou, mais especificamente, a luta da burguesia prussiana contra os senhores feudais e a monarquia absoluta — o movimento liberal, em suma — tornou-se mais séria.

Ao “verdadeiro” socialismo ofereceu-se, assim, a desejada oportunidade de contrapor ao movimento político as demandas socialistas, de arremessar os anátemas tradicionais contra o liberalismo, contra o Estado representativo, contra a concorrência burguesa, contra a liberdade de imprensa burguesa, contra a justiça, a liberdade e a igualdade burguesas, e de pregar à massa popular que ela nada tinha a ganhar com esse movimento burguês, mas, antes, muito a perder. O socialismo alemão esqueceu-se bem a tempo de que a crítica francesa, da qual ele próprio era um eco banal, pressupunhaV45 uma sociedade burguesa moderna, com suas respectivas condições de vida e uma constituição política adequada — pressupostos que, na Alemanha, tratava-se ainda de conquistar.

Aos governos absolutos alemães, com seu séquito de prelados, mestres-escolas, nobres rurais e burocratas, ele serviu de desejado espantalho a afugentar a burguesia que ameaçava ascender.

Foi o doce complemento às amargas chicotadas e balas de espingarda com que esses mesmos governos tratavam as revoltas alemãs de trabalhadores.

Se, nas mãos dos governos, o “verdadeiro” socialismo se transformou numa tal arma contra a burguesia alemã, ele foi também representante direto de um interesse reacionário: o interesse pequeno-burguêsV46 alemão. Na Alemanha, a pequena-burguesia, herança do século xvi e desde então ressurgindo constantemente sob formas variadas, constitui a verdadeira base da situação reinante.

Sua preservação é a preservação da situação vigente na Alemanha. Seu temor diante do domínio industrial e político da burguesia é o da ruína certa, em consequência, por um lado, da concentração do capital e, por outro, do surgimento de um proletariado revolucionário. A essa pequena-burguesia, o “verdadeiro” socialismo pareceu ter matado dois coelhos com uma só cajadada. Ele se espraiou como uma epidemia.

O manto exuberante com que os socialistas alemães envolveram suas duas ou três “verdades eternas” petrificadas — um manto entretecido de especulativas teias de aranha, bordado com as flores retóricas do belo espírito e encharcado de caloroso orvalho sentimental —, esse manto só fez multiplicar a venda de suas mercadorias junto a esse público.

O socialismo alemão, por sua vez, reconheceu cada vez mais o seu ofício de pomposo representante dessa pequena-burguesia.

Ele proclamou que a nação alemã era a nação normal e que os pequeno-burgueses alemães eram os seres humanos normais. A cada vileza desse pequeno-burguês, ele deu um sentido oculto, superior, socialista, fazendo-a significar o oposto. E foi às últimas consequências na medida em que fez oposição direta à tendência “cruamente destrutiva” do comunismo e anunciou estar sua superioridade apartidária acima de toda luta de classes. Com pouquíssimas exceções, todos os escritos supostamente socialistas ou comunistas que circulam na Alemanha pertencem ao domínio dessa literatura suja e enervante.6

2. o socialismo conservador ou burguês

Uma parte da burguesia quer remediar os males sociais para garantir a sobrevivência da sociedade burguesa.

Encaixam-se nessa categoria economistas, filantropos, humanitários, pessoas desejosas de melhorar a situação das classes trabalhadoras, fundadores de organizações beneficentes, abolicionistas da crueldade contra animais, promotores das sociedades de temperança e reformistas dos mais diversos matizes. E esse socialismo burguês chegou mesmo a embasar sistemas inteiros.

Como exemplo, podemos citar a “Filosofia da miséria” de Proudhon.

Os burgueses socialistas desejam as condições de vida da sociedade moderna, mas sem as lutas e os perigos que dela necessariamente decorrem. Querem a sociedade existente, com exceção daqueles elementos capazes de revolucioná-la ou dissolvê-la. Querem a burguesia sem o proletariado. Naturalmente, a burguesia imagina o mundo dominado por ela como o melhor dos mundos. O socialismo burguês expande essa ideia reconfortante num sistema parcial ou completo. Quando ele convoca o proletariado a concretizar tais sistemas e adentrar a nova Jerusalém, o que demanda, na verdade, é tão somente que o proletariado permaneça na sociedade atual, liberto, porém, de suas concepções hostis a respeito dela.

Uma outra forma desse socialismo — menos sistemática, mais prática — tentou indispor a classe trabalhadora contra todo e qualquer movimento revolucionário mediante a comprovação de que apenas uma modificação das condições materiais de vida, das condições econômicas, e não uma ou outra mudança política, podia lhe ser útil. O que, no entanto, esse socialismo entende por mudança das condições materiais de vida não é, de modo algum, a supressão das relações de produção burguesas — possível apenas por caminhos revolucionários —, e sim melhorias administrativas a serem implementadas no âmbito dessas mesmas relações de produção e que, portanto, nada mudam na relação entre capital e trabalho assalariado. Na melhor das hipóteses, o que essas melhorias fazem é reduzir os custos da dominação burguesa e facilitar sua administração do Estado.

O socialismo burguês encontra expressão adequada somente quando se transforma em mera figura retórica.

Livre-comércio no interesse da classe trabalhadora! Tarifas protecionistas no interesse da classe trabalhadora! Prisão em celas no interesse da classe trabalhadora! — essa é a última palavra do socialismo burguês, e a única que ele diz a sério.

O socialismo da burguesia consiste justamente na afirmação de que os burgueses são burgueses — no interesse da classe trabalhadora.

3. socialismo e comunismo crítico-utópico

Não nos referimos aqui àquela literatura que, em todas as grandes revoluções modernas, deram expressão às demandas do proletariado (os escritos de Babeuf etc.).

As primeiras tentativas do proletariado de, numa época de agitação geral, durante a derrocada da sociedade feudal, impor diretamente seu próprio interesse de classe só podiam falhar, tanto em virtude da configuração nada desenvolvida do próprio proletariado como da ausência das condições materiais para sua libertação, as quais só foram se concretizar como produto da época burguesa. A literatura revolucionária que acompanhou esses movimentos iniciais do proletariado revela, necessariamente, um conteúdo reacionário. Ela prega uma ascese generalizada e um igualitarismo rudimentar.

Os sistemas socialistas e comunistas de fato, aqueles de Saint-Simon, Fourier, Owen etc., surgem nos primórdios de uma luta ainda não desenvolvida entre proletariado e burguesia, período que já descrevemos acima. (Ver “Burgueses e proletários”.)

Os inventores desses sistemas veem, é certo, tanto os antagonismos das classes como a eficácia dos elementos a dissolver a sociedade dominante. Mas não identificam nenhuma autonomia histórica, nenhum movimento político próprio, da parte do proletariado.

Como o desenvolvimento do antagonismo de classes caminha passo a passo com o desenvolvimento da indústria, tampouco encontram eles as condições materiais para a libertação do proletariado, buscando, então, uma ciência social, leis sociais capazes de criar essas condições.

A atuação social precisa ser substituída pela inventividade pessoal, as condições históricas para a libertação, por condições fantásticas, a organização paulatina do proletariado em classe, por uma organização da sociedade engendrada pela própria imaginação. A história universal em curso dissolve-se para eles em propaganda política e na execução prática de seus planos para a sociedade.

É certo que eles têm consciência de, em seus planos, estarem representando sobretudo o interesse da classe trabalhadora como a mais sofrida das classes. É somente sob esse ponto de vista da classe mais sofrida que o proletariado existe para eles.

Mas a forma não desenvolvida da luta de classes, assim como a própria condição de vida desses socialistas, faz com que eles se creiam muito acima desse antagonismo de classes. Seu desejo é melhorar as condições de vida de todos os membros da sociedade, inclusive dos mais favorecidos. Com frequência, portanto, apelam a toda a sociedade, sem distinções, e mesmo, de preferência, à classe dominante. Basta que compreendam o sistema que propõem para que o reconheçam como o melhor plano possível para a melhor sociedade possível.

Assim sendo, censuram toda ação política, vale dizer, toda ação revolucionária. Querem atingir seu objetivo por vias pacíficas e procuram, por intermédio de pequenos experimentos, naturalmente malsucedidos, por meio da força do exemplo, abrir caminho ao novo evangelho social.

A descrição fantásticaV47 da sociedade do futuro nasce emV48 um momento em que o proletariado se apresenta ainda não desenvolvido, em que, portanto, ele ainda vê sua própria posição como fantástica; ela brota, pois, de um primeiro e pressagioso ímpeto rumo à reconfiguração geral da sociedade.

Contudo, esses escritos socialistas e comunistas compõem-se também de elementos críticos. Eles atacam todos os fundamentos da sociedade existente. Produzem, assim, material altamente valioso para o esclarecimento dos trabalhadores. Suas proposições positivas sobre a sociedade do futuro — por exemplo, a abolição da oposição entre cidade e campo, a abolição da família, do lucro privado, do trabalho assalariado, a proclamação da harmonia social, a transformação do Estado em mero gestor da produção —, todas essas proposições nada mais fazem que expressar o desaparecimento do antagonismo de classes que começa a se desenhar e que eles só conhecem em suas primeiras manifestações, ainda indefinidas e disformes. São, portanto, proposições que ainda possuem um sentido puramente utópico.

A importância do socialismo e do comunismo crítico-utópico guarda relação inversa com o desenvolvimento histórico. Na mesma medida em que a luta de classes se desenvolve e se configura, perde valor prático e toda e qualquer justificativa teórica essa fantástica visão de cima, esse combate fantástico que ele dá à luta de classes. Se, por um lado, os iniciadores desses sistemas eram revolucionários em muitos aspectos, por outro, suas escolas sempre dão origem a seitas reacionárias. Elas se aferram às velhas concepções de seus mestres em face do desenvolvimento histórico do proletariado. Procuram, assim, de novo e continuadamente, embotar a luta de classes e intermediar as oposições. Seguem sonhando com a concretização experimental de suas utopias sociais, com a fundação de falanstérios isolados, o estabelecimento de home colonies e com a construção de uma pequena Icária — edição in-doze da nova Jerusalém;7 e, para erigir todos esses castelos imaginários, têm de apelar à filantropia dos corações e dos sacos de dinheiro dos burgueses. Pouco a pouco, entram na categoria, descrita acima, dos socialistas reacionários ou conservadores, deles diferenciando-se apenasV49 por um pedantismo mais sistemático, pela crença fanática nos efeitos milagrosos de suas ciências sociais.

Desse modo, opõem-se com amargura a todo movimento político dos trabalhadores, algo que só pode brotar da descrença cega no novo evangelho.

Os owenistas, na Inglaterra, e os fourieristas, na França, reagem, na primeira, aos cartistas e, na última, aos reformistas.